Nunca fui muito amiga de clichés e frases feitas, mas acho que a idade nos ensina que algum ser os inventou porque, efectivamente, as coisas acontecem um bocadinho assim em todas as casas, não? A história de que o natal tem mais piada se tivermos crianças, que lhe damos mais valor quando temos que estar fora, e que esta é uma altura de fazer doces em família de pantufa farfalhuda no pé. Como evitar?
Já não me lembro bem dos natais sem os meus garotos (só do mais velho já lá vão 13 anos, caramba!, e a memória já não chega para tudo – afinal de contas temos que saber os procedimentos segurança dos aviões todos de cor, não é? Sim, as típicas das quais não existe, possivelmente, nenhum ser humano que não tenha feito piadas sobre…), mas a verdade é que tenho a certeza que são muito melhores com eles! Não que fossem épocas chatas antes, mas o que é que não melhora com a chegada dos filhos à nossa vida? (another cliché, right?) Não me posso queixar.. a minha sogra é uma porreira, o meu sogro impecável e os meus cunhados fazem parte do meu dia a dia e serem mais família era impossível!! Mas crianças são crianças e quando o Guilherme, “o meu mais velho” (sabia que um dia ia dizer isto) deixou de acreditar no Pai Natal, veio o Francisco, “o meu mais novo” (agora tinha que ser) e continuámos a tradição engraçada de alguém se vestir de pai natal. Momentos que têm sempre alguma graça por acharmos que os miúdos não percebem efectivamente que o pai desaparece sempre no momento em que o senhor de barbas aparece ou que o velhinho de barbas vem com as luvas da tia calçadas (sim, aconteceu e foi até a criança que reparou). Não consigo não adorar estas coisas. Mesmo as histórias e os risos que acontecem sempre pelas mesmas coisas todos os natais.
Não me consigo imaginar noutra profissão, mas, como em todas, há momentos em que trememos um bocadinho. Passar o natal fora é uma delas. É mau sempre, mas quando se tem filhos pequenos parece que, além da dor da distância, o sentimento de culpa insiste em escarafunchar mais um bocadinho. E o pensamento do “é para o bem deles” não é propriamente reconfortante quando tocam a meia noite e nós estamos a milhares de kilómetros de distância. Vale-nos a família dos únicos que percebem (percebem mesmo, não aqueles do “imagino…”) o que se sente quando se está fora. E essa família sabe mesmo bem nestas alturas.


Talvez por isso, anos como este, em que pude passar o 24 e o 25 em casa saibam tão bem!
Voltam os momentos de pijama, a lareira acesa e a já tradicional receita de sonhos de cenoura da avó Anabela! Toda a gente acha que lá em casa estão os melhores doces (é tipo “a minha mãe é a melhor do mundo”), mas os da Anabela não têm explicação. Receita original hein?? Os miúdos levam o momento como pura diversão e eu não consigo deixar de ficar encantada com tudo o que representa.
Devia ser um segredo bem guardado, mas era um pecado para o mundo não a partilhar.
O segredo é simples: amor qb e produtos de qualidade. Os deste ano foram feitos com cenouras biológicas da Quinta da Pedra Branca e não é preciso nada de nada para se perceber a diferença!! Até vos convidada para provar, mas não sobrou nenhum! Hajam calças elásticas!
Ingredientes
1 Kg de cenoura
½ Kg de açúcar/ 400g
1/2Kg de farinha
1 laranja
1 limão
Canela
2ou3ovos inteiros
Sal
1colher de café de fermento
Modo de preparação:
Descascam-se as cenouras, cozem em água com um pouco de sal, casca da laranja e do limão. Depois de bem cozidas, escorrem-se e tritura-se tudo até ficar um puré homogéneo. Deixa-se arrefecer um pouco e adiciona-se o açúcar, a farinha com o fermento e por fim os ovos inteiros. Bate-se tudo energeticamente.
Com uma colher de sopa moldam-se pequenas porções do preparado.
Frita-se em óleo abundante e bem quente.
Depois de fritos escorrem-se em papel absorvente e embrulham-se em canela e açúcar.

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